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EDIFÍCIO CENTRAL DO PARQUE TECNOLÓGICO DE ÓBIDOS FOI NOMEADO PARA O GERMAN DESIGN AWARD 2017

 

Edifício Central do Parque Tecnológico de Óbidos do arquiteto Jorge Mealha foi nomeada para o German Design Award 2017.

 

Comentário do Juri

"Your extraordinary design expertise has attracted our attention. Due to your outstanding accomplishment, the committees of the German Design Council have nominated you to participate in the German Design Award 2017"

 

 

 

O projecto do Edífício e Praça Central do Parque Técnológico de Óbidos do Arquitecto Jorge Mealha foi nomeado para o European Union Prize for Contemporary Architecture – Mies Van der Rohe Award 2015.

 

O ponto de partida do projecto, do concurso que lhe dá origem, assume o propósito da construção do Edifício Central e Praça Central do Parque Tecnológico de Óbidos.

 

Como desenhar uma Praça Central sem uma cidade, sem os seus nexos conviviais, económicos e tecido urbano a montante? Se nos focarmos unicamente na sua dimensão cenográfica, corremos o risco de nos cingirmos apenas a um desenho apelativo descurando a sua razão de ser - o seu sentido cívico e urbano - que lhe permita sobreviver aos usos e ás modas. Ou seja, a manutenção de uma vocação convivial ao longo do tempo.

 

 

Uma resposta possível pode alicerçar-se numa perspectiva contemporânea sobre a memória deste território, exaltando as razões do ser e do fazer de alguns lugares da região, procurando resquícios de tradições ou espaços que proponham nexos indutores ao seu desenho.

 

Neste território que não é urbano, as marcas da sua identidade e memória estão ainda presentes com um sentido predominante, em diálogo com o desenho de estruturas contemporâneas. Na região fixamos ainda extensos apontamentos de floresta e mata, pontuados por pequenos aglomerados e construção dispersa, rasgados por vias de transportes que em conjunto desenham um sentido ou, se quisermos, uma identidade para este território.

 

Esta região, ainda predominantemente verde, é pontuada por estruturas construídas com bastante interesse, nomeadamente alguns conventos e seus claustros, igrejas, casas senhoriais, alguns pequenos núcleos de habitação e estruturas agrícolas que pelo seu desenho, normalmente muito claro do ponto de vista da sua geometria, se adossam ao território.

 

 

É esta identidade de grande espaço verde, por vezes de floresta densa, pontuado por construções de desenho muito claro e singelo e que ao longo do tempo lhe têm conferido um sentido, que o projecto procura utilizar como mote para o desenho que controla e integra o programa proposto.

 

Em termos gerais é proposta a criação de um lugar central, um terreiro se quisermos, que procura reforçar o sentido de recuperação das estruturas cívicas da região e que está subjacente ao projecto do Parque Tecnológico.

 

O desenho do “terreiro” resulta da relação dada pelas fachadas dos edifícios no piso térreo - parcialmente enterrados - e pelo morro criado a noroeste que resulta do movimento de terras necessário à implantação dos edifícios. O “terreiro”, é desenhado enquanto sugestão do resultado de um processo de erosão do solo. A sua delimitação é clarificada pelas fachadas dos dois corpos semi-enterrados e pelo corpo quadrado suspenso. A acentuação da delimitação deste lugar é enfatizada pelo desenho do corpo do piso 1, um enorme quadrado vazado que paira sobre o terreno. Este corpo procura evocar para o exterior a clareza e simplicidade de algumas construções existentes na região, singelamente adossadas ao território, sugerindo mais uma marca na construção da identidade desta paisagem.

 

 

Procura ainda atenuar a escala do programa, sugerindo de certo modo que o núcleo central convivial e cívico do Parque Tecnológico se constrói de um modo simples através da delimitação da zona pavimentada que é envolvida pela estrutura verde – delimitada pelas fachadas e muros - e pelo quadrado vazado que sobre ela paira.

 

Este anel procura que a sua leitura do exterior seja tão simples quanto possível, quase como se tratatasse de um longo muro texturado. Tal efeito é conseguido por se justapor ás paredes e janelas uma fina membrana de sombreamento em chapa quinada perfurada e pintada de branco.

 

 

Todo o programa do piso 1 é adossado ao lado exterior do anel. O lado interior, pelo contrário, é tão aberto quanto possível e faz uso do ritmo da geometria da sua estrutura - uma treliça estrutural - que evoca o desenho de um claustro. Ao concentrar todas as circulações do piso no seu interior, preenchendo apenas com grandes vãos envidraçados os intervalos entre os elementos estruturais, acentua-se o seu sentido de deambulatório. Procura sugerir e filtrar as relações espaciais de e para a praça, para a envolvente próxima e para a paisagem circundante que se recorta no horizonte sobre e sob este corpo.

 

Evitando desenhos figurativos e/ou feéricos, o projecto procura sugerir um diálogo com a memória deste território, aludindo às suas estruturas verdes, à marcação pontuada dos muros e construções rasteiras na paisagem, dos claustros e dos terreiros das feiras. O desenho do núcleo central do Parque Tecnológico de Óbidos procura a sua razão de ser na memória continua de uma paisagem que se reinventa.

 

 

Designação / Função: Edificio Central do Parque Tecnológico de Óbidos

Localização: Óbidos, Portugal

Data de Concurso: Janeiro de 2011

Data de conclusão da obra: Julho 2014

Arquitectura (Autor): Jorge Mealha

Equipa de Projecto: Andreia Baptista (Coordenação), Diogo Oliveira Rosa, Filipa Ferreira da Silva , Gonçalo Silva, Carlos Paulo.

Instalações Ténicas: Rodrigues Gomes & Associados – Consultores de Engenharia, S.A. e SE – Serviços de Engenharia Lda.

Estabilidade: JFA Engenharia S.A.

Arquitectura Paisagista: Arq. Paisag. Marisa Lavrador

Área Bruta de Construção: 4096m2

Área de Implantação: 17000m2

 

JORGE MEALHA, ARQUITECTO

Rua de Lisboa, 164 - R/C dtoº Rebelva

2775-525 Carcavelos, Portugal

Telefone +351 21 453 83 84

E-mail geral@jorgemealha.com

Webpage www.jorgemealha.com

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